Alimentos ultraprocessados e risco de câncer gastrointestinal : uma revisão sistemática e metanálise
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Data
2025Autor
Orientador
Co-orientador
Nível acadêmico
Doutorado
Tipo
Assunto
Resumo
INTRODUÇÃO: O consumo de alimentos ultraprocessados (AUP) tem sido associado a maior risco de obesidade, hipertensão arterial sistêmica, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Os dados iniciais sobre a relação entre o consumo de AUP e o risco de câncer foram derivados de estudos observacionais retrospectivos, com resultados conflitantes. Esta revisão sistemática e metanálise de estudos de coorte prospectivos teve como objetivo investigar a associação entre o consumo de AUP e o risco de des ...
INTRODUÇÃO: O consumo de alimentos ultraprocessados (AUP) tem sido associado a maior risco de obesidade, hipertensão arterial sistêmica, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Os dados iniciais sobre a relação entre o consumo de AUP e o risco de câncer foram derivados de estudos observacionais retrospectivos, com resultados conflitantes. Esta revisão sistemática e metanálise de estudos de coorte prospectivos teve como objetivo investigar a associação entre o consumo de AUP e o risco de desenvolver câncer gastrointestinal. MÉTODOS: Pesquisamos sistematicamente as bases de dados PubMed, Embase e Cochrane em busca de estudos de coorte prospectivos que comparassem os níveis mais altos versus os mais baixos de consumo de AUP, conforme a classificação NOVA dos alimentos, e que relatassem o risco de desenvolver cânceres gastrointestinais por topografia e tipo histológico. A associação com o câncer foi quantificada por meio de razões de risco (hazard ratio – HR) utilizando um modelo de efeitos aleatórios. RESULTADOS: Cinco estudos de coorte prospectivos foram incluídos nesta revisão, totalizando 1.128.243 participantes (241.201 no grupo de maior consumo e 223.366 no grupo de menor consumo de AUP). O tempo médio de seguimento variou de 5,4 a 28 anos. O nível mais elevado de consumo de AUP esteve associado a um risco aumentado de desenvolver câncer colorretal (HR = 1,11; intervalo de confiança [IC] de 95%: 1,03–1,21; P = 0,01; I² = 31%) e de câncer gástrico não-cárdia (HR = 1,43; IC 95%: 1,02–2,00; P = 0,04; I² = 0%), em comparação ao nível mais baixo de consumo de AUP. Na análise de subgrupos por topografia do câncer colorretal, o elevado consumo de AUP associou-se apenas ao câncer de cólon (HR = 1,12; IC 95%: 1,02–1,23; P = 0,02; I² = 0%), sem associação com câncer de reto. Não foi observado aumento do risco de desenvolver cânceres hepatocelular, esofágico, pancreático e gástrico de cárdia nos indivíduos com alto consumo de AUP. CONCLUSÃO: O maior nível de consumo de AUP esteve significativamente associado ao risco de câncer colorretal e de câncer gástrico não-cárdia. ...
Abstract
INTRODUCTION: Ultra-processed food (UPF) intake has been associated with a higher risk of obesity, hypertension, type 2 diabetes, and cardiovascular diseases. The initial data on the relationship between UPF consumption and cancer risk were derived from retrospective observational studies with conflicting results. This systematic review and meta-analysis of prospective cohort studies aimed to investigate the association between UPF consumption and gastrointestinal cancer risk. METHODS: We syste ...
INTRODUCTION: Ultra-processed food (UPF) intake has been associated with a higher risk of obesity, hypertension, type 2 diabetes, and cardiovascular diseases. The initial data on the relationship between UPF consumption and cancer risk were derived from retrospective observational studies with conflicting results. This systematic review and meta-analysis of prospective cohort studies aimed to investigate the association between UPF consumption and gastrointestinal cancer risk. METHODS: We systematically searched PubMed, Embase, and Cochrane databases for prospective cohort studies that compared the highest versus the lowest level of UPF consumption according to NOVA food classification and reported the risk of gastrointestinal cancers by anatomical subsite and histological type. The association with cancer was quantified as hazard ratios (HR) using a random-effects model. RESULTS: Five prospective cohort studies were included in this review, comprising 1,128,243 participants (241,201 participants in the highest and 223,366 in the lowest levels of UPF consumption). The mean follow-up ranged from 5.4 to 28 years. The highest UPF consumption was significantly associated with an increased risk of colorectal cancer (HR = 1.11; 95% confidence interval [CI] 1.03–1.21; P = 0.01; I² = 31%), and non–cardia gastric cancer (HR = 1.43; 95% CI 1.02–2.00; P = 0.04; I² = 0%) compared with the lowest UPF intake. In the subgroup analysis based on colorectal cancer subsite, high UPF consumption was associated only with colon cancer (HR = 1.12; 95% CI: 1.02–1.23; P = 0.02; I² = 0%), with no association found for rectal cancer. No increased risk was observed for hepatocellular, esophageal, pancreatic, or cardia gastric cancers among individuals with high UPF consumption. CONCLUSION: The highest level of UPF consumption was significantly associated with colon cancer and non–cardia gastric cancer. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Ciências em Gastroenterologia e Hepatologia.
Coleções
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Ciências da Saúde (9741)Gastroenterologia (241)
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